A importância de errar

Hoje me deparei com uma situação inusitada: a incapacidade de aceitar o erro. Incrível. Com todo este papo humanista no mundo corporativo, esquecemos que somos um time em prol do lucro e que, como tudo na vida, a questão não é errar, mas estar preparado para o baque na hora H.

Meus superiores ficam pedindo para eu chamar atenção (sem briga, sem cara feia, só converso com o cara acerca) particularmente. Sou extremamente contra, afinal, somos todos uma equipe e devemos ter humildade de reconhecer nossos erros e compartilhar com o time. Não consigo entender. Minto. Consigo, mas atualmente minha existência não permite perder tempo levando para o pessoal – tenho bem mais interesse em consertar minhas falhas e me tornar mais forte. Se a ‘bronca’ for merecida, que seja com a equipe, para que todos aprendam com meu erro. Já aconteceu isso comigo e eu mesmo assumi meu erro perante a equipe e pedi desculpas, antes mesmo da diretoria me chamar. Isto se chama abrir mão do orgulho, da auto-imagem vendida constantemente de perfeição em prol do crescimento humano.

Cansativo. Desperdiçar energia se estressando porque outras pessoas estão vendo suas falhas é extremamente inútil, não agrega nada. Eu o fiz: chamei meu colaborador (excelente nome, por sinal, que o capitalismo inventou para funcionário/empregado do séc. XXI) e o repreendi particularmente. Ele fez cabeça baixa, balbuciou, ok. Tenho certeza que não aprendeu nada e só reproduziu um comportamento instintivo que até meu cachorro sabe fazer. Nada bom. Eu sei que este cara – carta marcada aqui na empresa em fazer algumas confusões – fará de novo, mas terei que seguir protocolos, protocolos estes que só servem para os covardes se sentirem confortáveis nas suas cadeiras.

Eu não vim aqui falar da minha vida, mas sim do que podemos aprender com isso: engolir o orgulho e aprender a aguentar reclamações – quando justas – para crescermos como profissionais e como pessoas. É extremamente importante isso porque críticas raramente vem de graça, então, quando vierem, aproveite para se auto-avaliar e se recolocar no jogo.

É importante errar porque é quando aprendemos – o acerto não faz histórias, meus caros. É uma sucessão de erros antes de um acerto que diz se o mesmo é valoroso ou não. Guiem-se não para fugir deles, fugir das críticas, fugir da dor de ser rejeitado ou ouvir palavras duras, mas para irem de encontro a isto e se formarem homens melhores, aptos de suas responsabilidades e corajosos a ponto de compartilharem seus fracassos com a equipe para crescerem como seres humanos.

O resultado final é esplendoroso. E aqui vos fala o cara que, quando mais novo, era o mais orgulhoso do mundo que não se permitia ser criticado. Abram suas cabeças e seus corações, a verdadeira força não está na espessura da armadura, mas no quanto podemos aguentar, levantar e continuar – já diria Rocky.

Eu devo corrigir os erros quando for demonstrado que são erros, e eu vou adotar novos pontos de vista tão rápido quanto eles aparentam ser verdadeiros pontos de vista.

Abraham Lincoln

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3 pensamentos sobre “A importância de errar

  1. Azoth,

    Excelente texto, e foi em momento oportuno que o li. Embora eu me considere alguém aberto a críticas, li recentemente o excelente livro Antifrágil, de Nassim Taleb, cuja premissa central é que pequenos erros são benéficos a longo prazo, pois dão aos sistemas, organizações, pessoas etc. a chance de corrigi-los sem que os danos sejam significativos. Por outro lado, a superproteção leva ao efeito oposto, erros não corrigidos vão se acumulando e distorcendo os sistemas até que um desastre ocorra.

    Um livro que recomendo fortemente, e certamente o ajudará a ter uma percepção ainda mais sólida do tema que você abordou aqui.

    Daniel.

    • Obrigado pela indicação, Daniel, anotei aqui na lista do que devo ler.

      Agradeço a contribuição e é justamente por este caminho que colocaste que eu direcionei meu texto. Sinta-se bem vindo à minha ‘casa’, fico a disposição.

      A propósito, seu blog nuvemdegiz é excelente, minhas sinceras congratulações.

      Abraço.

      • Obrigado, pretendo fazer uma resenha do mesmo em breve. Em meu post 5 livros excelentes para os tempos atuais recomendo outros, talvez lhe interesse.

        Daniel Castro.

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