Antes da motivação, que venha o sofrimento!

Inspirado pelo meu confrade Loki e seu excelente post no MR – Como sair da zona de conforto! – nasceu este texto. Desejo ao confrade uma longa vida repleta de trabalho duro, como ele mesmo destila no seu artigo. Vamos as minhas considerações:

O indivíduo deve ser uma força propulsora direcionada para o desconforto – quanto mais ele o sente, mais ele cresce em todos os aspectos que permeiam sua vida. Os estoicos defendiam justamente o constante enfrentar de QUAISQUER situações, sendo por isso que Sêneca, mesmo sendo rico, vivia uma vida simples e sem luxos, simplesmente para tal fim. Marco Aurélio foi um imperador simples da mesma forma e mesmo com magnânima inteligência acompanhava os soldados nas batalhas sem tratamentos demasiado luxuosos, era um homem prático para o bem ou para mal de Roma.

Há um debate, que eu esqueci qual livro o li (talvez tenha sido A República), de Sócrates com um rico político grego, que dizia que vivíamos para os prazeres e que só isso poderia justificar uma vida bem vivida. Sócrates logo rebate que a simplicidade e a busca constante pelo simples permeava a vida dele de mais liberdade que seu interlocutor, posto que, se algum dia o faltasse certos tipos de iguarias, comida, roupas e até a própria casa, ele estaria pronto para o bom combate de qualquer forma.

Aquele que não procura os melhores prazeres dentro da utilidade diária guarda para si o dom da resiliência e do crescimento constante pessoal. Temos diversos exemplos atuais e/ou lendários, como Abraham Lincoln que até o fim da vida foi um homem de hábitos simples, mesmo se tornando Presidente dos Estados Unidos da América. Theodore Roosevelt constantemente buscava o desconforto, lutava boxe e judô e só parou de lutar boxe quando sua retina descolou em uma luta e ficou cego de um olho. Fidípides correu 42 quilômetros na Batalha de Maradona para anunciar a vitória grega. Tolstoi morreu combatendo o que acreditava em termos de ideais, acabando de jazer sem vida em um vagão de trem de terceira classe em Moscou mesmo sendo rico e conhecido. Churchill enfrentou inúmeras dificuldades de saúde durante a vida e sempre teve para si uma vida de desafios que o permitissem tornar o britânico que representaria a Inglaterra. Wittgenstein preferiu uma vida de batalha ao lugar de ser um professor condecorado em Cambridge, indo para guerras, inclusive depois abrindo mão da sua gigantesca fortuna em prol de evoluir a si mesmo como filosofo e ser humano. Mike Tyson corria com 25 quilos juntos em uma mochila nas suas costas todas as manhãs por aprox. 8km porque Cus D’amato queria que ele não crescesse para ser o modelo perfeito da sua técnica que o tornou campeão mundial tão cedo – o Peek-a-boo.

cus

A história não cansa de mostrar que os grandes homens – seja em qualquer área – viveram uma vida de privações não procurando o sofrimento em si, mas ultrapassarem seus próprios limites através deles. Mas para isso, acredito que devemos imbuir nossa vida com um amor próprio sem igual e uma vontade de ultrapassar os percalços da vida de forma diferenciada, devemos ser (ou tentar) ser criadores de motivação, geradores de luz onde tudo parece sombra. Onde alguns vêem um canto escuro com livros para estudar, você vê uma chance de cavar a fundo o conhecimento humano em busca de luz.

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Sabemos que a vida não é só palavras bonitas e que o cotidiano tem seus momentos de tédio, de normalidade e de fulga natural dos nossos objetivos, nada é perfeito. Mas depende de nós fazermos que tudo tenha um contexto que em algum momento valha a pena. Cada almoço, cada treino, cada hora lendo livros devem ser canalizados para produzirmos momentos excepcionais não só em nossas vidas – mas no das pessoas também. Fomos criados para isso, afinal. Os grandes homens supracitados mostraram e ensinaram mais para nós do que talvez para eles mesmos. Uma vida de provações para mostrar ao mundo que há um caminho, uma saída maior e melhor que o afogamento nos nossos próprios vícios e desejos enquanto a morte não bate a porta avisando que o trem está partindo. Que não façamos nossa vida um espetáculo de deleite, mas uma tragédia grega onde o deleite está em se desafiar e ultrapassar nossa própria mortalidade, nossas próprias desculpas e limitações.

Heroes

No fim, como diz o velho Buk, se vamos tentar, que seja de qualquer forma, até o fim. Go all the way.

ar e luz e tempo e espaço – Charles Bukowski

“… você sabe, já tive uma família, um emprego, mas alguma coisa
sempre estava no caminho
mas agora
vendi a casa. encontrei este
lugar, um estúdio enorme, você precisa ver o espaço e
a luz.
pela primeira vez na minha vida terei um lugar e tempo para
criar.”
não, jovem, se você vai criar
fará isso mesmo que trabalhe
16 horas por dia numa mina de carvão
ou
criará num cubículo com 3 crianças
enquanto vive
da previdência social,
criará com parte de sua mente e de seu
corpo
estourados,
criará cego
aleijado,
demente,
criará com um gato escalando suas
costas enquanto
a cidade inteira treme em terremotos, bombardeios,
alagamentos e fogo.
jovem, ar e luz e tempo e espaço
não têm nada a ver com isso
e não criam nada
exceto talvez uma vida mais longa para encontrar
novas desculpas.”
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