O jogo dos ratos

Em um tempo de grande caos instaurado no nosso país onde as cartas marcadas estão sendo levadas pelo vento dos egos dispostos no próprio jogo, as pessoas entram em um estado de frenesi demasiado torpe para, em sua maioria, tirarem algo que preste de suas próprias bocas.

Faz algum tempo que a famigerada ‘direita’ tem se desenvolvido no país sob ícones totalmente adoradores de atenção, pessoas que não vivem de forma modesta como um bom amante da Tradição e que possuem o ego do tamanho do mundo. E qual o problema disso? Tudo, posto que esquerda e direita são dois lados da mesma moeda.

O que mais me impressiona é a ignorância no qual muitos indivíduos se apegam, algo como buscar uma tribo com uma certa força contra uma corrente, talvez justificada por algum trauma ou problema de auto-estima, certamente. É claro que, se algumas das ideologias fossem perfeitas, algum lugar já as teriam implantado com uma satisfação geral quase unânime, pois esquecem que o ser humano é guiado pelo conforto. Querem mundo mais confortável do que o que Huxley proveu e que alguns direitistas tanto sonham?

Meus caros, eu não venho dar uma de ‘isentão’. Eu venho entregar uma ideia de discernimento afora tribos e preferências. A esquerda é totalmente errada e maligna? Balela. Pura balela. Muitos esquerdistas possuem um entendimento do social e dos impactos profundos na existência humana que vários de nós apegados à Tradição vociferamos através de uma doutrina mas de forma robótica, não ativa, no conforto dos nossos computadores. Muitas ideias são interessantes de PENSAR, é importante pensar como trabalhamos no capitalismo para gerar lucro e não para resolver os problemas do mundo. Ou você acha que a última coisa que nós precisamos agora é um novo foguete? Um novo iphone? Talvez um xbox novo? Cresçam, porra! Milhões de pessoas morrendo de fome e vocês acham que isso não é problema nosso? Que merda é essa?

O problema da esquerda é não estudar economia, agir com emoção e esta emoção acaba caindo no terreno do totalitarismo, quase sempre. Porque é mais fácil exigir que debater e não dá para ensinar um país ou até o mundo inteiro em pensar em prol do coletivo. Eu não consigo entender um país onde há pessoas morrendo de fome e outras com uma Mercedes bebendo com milhares de putas em uma boate. Não me venham com meritocracia e trabalho duro, que se trabalho duro desse dinheiro burro de carga seria cavalo de competição, seus paspalhos.

O problema da direita é justamente o ode ao material. Fala-se de religião, propriedade privada e economia com uma dedicação homérica, mas raramente se vê como debater soluções diretas para a ganância. Sim, uma sociedade sadia deve haver meios de refrear a ganância. Não adianta vocês lerem Friedman e não entenderem que o Estado é corruptível como qualquer ser humano que tenha poder e trocar o Estado pelo Mercado é só uma maneira de trocar os bois, só que sem contrato social. Ou seja, um belo e singelo foda-se. Você acha que simplesmente não haverá implicações? O Deus Mercado trabalha pelo lucro, amiguinho, não há conceitos ‘torpes’ como virtude, justiça ou qualquer pensamento profundo de moralidade. Vende-se tudo, até sonhos que não são teus. Isto é positivo? Diga-me você.

Nós esquecemos que há um limite de matéria prima para todo nosso ego de evolução e que é justamente este ego que nos guia a violência, posto que o egoísmo de quem está bem gera uma multidão de ferrados querendo o pescoço de alguém. Este alguém não será um político, um empresário riquíssimo (raramente o é, os jornais são bons em divulgarem o que lhes apetecem) ou alguém que realmente ferre com as pessoas, mas você. Sim, pessoas comuns, geralmente ratos da classe média, que levarão tiros, sofrerão roubos e assaltos e andarão com medo, gerando mais produtos para comprarmos e mais sonhos para termos. O medo vende, conquista.

Qual é minha solução? Parcimônia. Um lampejo de estudo e discernimento. E um pouco de empatia, também. Que tenhas todo embargo de estudo, mas procure conviver de alguma forma com pessoas menos favorecidas para entender o que se passa. Não só leia notícias de superação, mas de desgraças. E se coloque no lugar de tais pessoas e pense como lutaria para sair dali. Ou, ao menos, como seria. Para mim, o dever de um ser humano forte seria ajudar um fraco a se fortalecer, mas não é isso que eu vejo hoje. Eu vejo um ego tremendo achando que seu sucesso atual (ou seu status quo) é totalmente seu merecimento e que quem está pior que você é porque não merece ter. Isso é inocência ou mal caratismo puro.

Vocês podem ter a crença que forem, qualquer religião, quaisquer dogmas, muitas histórias, mas não se esqueçam de pensar realmente nos (REAIS) problemas que aflingem o mundo.

Quando era criança, perguntei na aula de história porque precisávamos nos esforçar tanto para ir a Lua e gastar tanto dinheiro quando tínhamos tanta coisa aqui para melhorar, pessoas com fome, violência, lugares a descobrir.

É, talvez eu que não seja tão inteligente quanto penso. Pelo menos tenho a tranquilidade de gostar do caminho que sigo. Já me apetece.

E olhem a imagem: no fim, até o mais primitivo de nós amamos. E temos um mundo inteiro dentro de nós clamando para ser visto, entendido e aceito. Até o mais torpe dos doentes e assassinos possuem isso e nós, os que clamam que são bons cidadãos, o que clamam que trabalham duro e que gritam que mantêm a sociedade devem também lembrar-se da responsabilidade de cuidar disso tudo e não deixar na periferia das suas mentes tais questões. Esta é a verdadeira riqueza, não somente os dígitos nas vossas contas ao fim do mês. Isso pode começar em casa, no trabalho, esta onda de empatia pode começar AGORA. E será mais que ideologia – seja social ou econômica. Será o MÍNIMO como ser humano.

Não vivam pelo próximo carro, próximo celular, próxima roupa, próximo jogo, próximo ano, próxima década, próxima pessoa. Vivam com a ânsia da própria existência e dos que aqui estão entre nós neste minúsculo espaço de tempo que se chama vida.
Só depende de vocês.
Azoth

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