Quer algo? Vai doer.

Quer ser feliz? Vai doer.

Quer ser forte? Vai doer.

Quer atingir alguns objetivos que almejou para si? Vai doer.

E como vai. E muitas vezes você desistirá, por que não entende  quais são os preceitos do Universo. Vai resmungar. Afogar as mágoas com bebida, drogas de toda sorte, legais ou não, para entorpecer a verdade nua e crua: dói. Dormirá com mulheres que não te conhecem, nem querem conhecer: você é só um espelho delas – para entorpecer aquela verdade nua e crua. Ops, volta a lembrança de dor: vamos trabalhar para pagar a auto-destruição e nos entorpecer mais um pouco – nada de objetivos, como faz para passar mais depressa? Café, conversa fiada, celular. Saída de turno chega, faculdade ou casa, não tem dinheiro suficiente para entorpecer-se sem sacrificar a esbórnia do final de semana vindouro, cai em entreterimento barato: eletrônicos de toda sorte.

Contas chegam, dói. Sonha mais um pouco, mas dói, porque sonhar traz comparativos, lembranças e sonhos despedaçados, que agora jazem no Thanatos. Liga para um amigo, desabafa com alguém próximo ou, por segurança e ego, pela internet com algum alter-ego recém tirado do armário da mente que se resvala nos atos falhos. Gozo instantâneo em algumas poucas teclas, registra instantaneamente o fato que a internet é um emaranhado de opções baratas que podem anestesiar por horas aquela dor.

Dói.

Precisa dormir, remédios ou masturbação? Depende do gosto de freguês, no nível da dor, do peso do bolso – tarja preta ou fitoterápico? Dorme. E nos sonhoss, a dor rapidamente some e, entre pesadelos e prazeres, se é. Finalmente É, não vem a ser, não será, não seria, se É.

Mais um dia. Dias. Chega final de semana. Ciclo que se repete, vida que se definha, vida de amanhãs.

Mas quer ser feliz? Vai doer.

Meus caros, entre cada respiração, há o hiato tão esperado da felicidade. Não muito duradouro, mas gostoso. E o que é a genuína? Talvez seja a sincera consigo próprio, não oriunda de coisas externas, mas do enfrentamento das leis magnas que regem nosso Universo.

E assim, sê forte, em níveis, mas se é. E a fome do ‘venha a mim’, permite mais. Uma pluralidade de dores que se transformam em algo maior pela coragem e amor humanos. O espírito de vitória jaz nos pacientes, resilientes, heróis que resistem sem aplausos, abraços e risos, onde o maior ouro é dado a si próprio pela vida, em um gesto temporal que não ficará com ninguém além de ti.

E onde ficará a sala de troféus? Em si. Cada pessoa que convives contemplará suas conquistas a cada segundo que convive contigo e eis a delícia da vida: o fenômeno da existência, os minutos singulares no tempo-espaço que sua matéria ocupa, só seu. O Universo passa, não somos ninguém, mas estivemos ali, naquele ano, naquela década, naqueles instantes. Amamos e sofremos, com nossas próprias cargas existenciais, buscando simplesmente suportar a dor e o medo do amplo espectro da Existência impressa em nossas mentes limitadas pelo tempo e espaço.

Quer ser feliz? Quer ser forte? Legal. Não quer mais sofrer? Você vai. O que então, realmente, com toda nossa energia, devemos querer?

Sinceridade para com o mundo e coragem para enfrentar ao invés de fugir nas pequenas vicissitudes que nos calam a existência no somar dos dias.

Quer ser? Não queira.

SEJA.

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4 pensamentos sobre “Quer algo? Vai doer.

  1. Olá, Azoth.
    Eu fico tão feliz quando entro aqui e vejo que tem um post novo.

    Confesso que sempre penso em como dar um feedback à altura e acabo desistindo de comentar.

    Dessa vez não queria deixae passar em branco, então arranjei um jeitinho, o meu jeitinho de expressar… rs

    Se me permite falar, esse texto ficou tão bom quanto coxinha (e churros).

    Fica com Deus.

  2. Grande Azoth. Um texto edificante em vários sentidos, principalmente no sentido de dar ânimo para que possamos buscar nos aperfeiçoarmos.

    Não sei exatamente se você concorda com a afirmação que diz, e eu concordo plenamente, que a felicidade não está lá no final do arco-íris dentro de um pote de ouro, esperando para ser milagrosamente encontrada, mas na jornada, nos meandros dessa busca, que na maioria das vezes, passa por lugares sombrios e frios. Com cheiro de enxofre e barulho de ranger de dentes. Sim, a felicidade está até nesses locais, pq felicidade pode ser traduzida como provação, e superação das próprias capacidades. Felicidade está no desafio, e não o conforto que a superação do desafio traz.

    Felicidade está na AÇÃO, que faz vc perceber que seus dias aqui não são em vão, e que o mundo é maravilhoso. Eu amo a vida, pq amo o desafio.

    Mais uma vez, parabéns e obrigado Azoth, tenha certeza que as coisas que escreve, estão tmudando vidas.

    Abraço

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