As idiossincrasias da vida

Sempre acreditei que o pior tipo de ser humano é aquele que, no fundo, acha de verdade que não faz nada de errado, ou seja, não observa as idiossincrasias da vida. Afinal, quem consegue ser 100% do tempo íntegro com seus ideais ou valores? Não faço um ode ao relativismo, mas à realidade e vou lhes dizer porque: quando não se entende da realidade à sua volta, acaba criando uma imagem do próximo que nunca cabe nos conceitos positivos morais.

Quantas vezes já vimos ‘santos’ aos montes no mundo? Cheios de julgamentos, prontos para desferir a primeira comparação  acerca de algo. A intolerância se cria através da alta expectativa em torno da realidade, que, frequentemente, não nos brinda com que nós esperamos.

A grande verdade é que uma pessoa nunca é totalmente boa, não aquela que mantém o mínimo de princípios internos (afinal, ainda há aqueles fracos de espírito que a vontade máxima é foder a si mesmo em prol do próximo pelo preço do elogio e de ser amado, pecado este que considero vil da mesma forma que uma pessoa naturalmente inclinada a fazer maldades e capirotagens). A própria realidade se esforça para nos ensinar isso, forçando nossa existência a ter uma resiliência em torno de certos itens e isto, para quem preocupa-se em ser íntegro, fere, destrói, corrói e machuca. E torna a vida mais pesada. Aí, no auge de uma fraqueza, diz-se que ‘bonzinho só se fode’ e outras bobagens do tipo.

É preciso saber o preço das nossas decisões e arcar com ele custe o que custar. Não vivemos tempos aterradores: eles sempre foram assim, a vida, o Universo é um ciclo vicioso de constante transformação e só. Nada de mágico a mais. Você não receberá, materialisticamente pensando (como a maioria vive), nada a mais por fazer uma decisão X ou Y de peso moral bom. Nada. Pode se ferrar também. Bem como o mundo não dá ponto sem nó com a maldade, vai no mesmo caminho, dá certo aqui, errado ali. Vêem? É algo de trajetória. Como querem desenhar vossas vidas. E esperar que o outro tenha mesmo alinhamento moral que o seu é algo tirânico, até. Por que? Porque, novamente, cada um tem sua trajetória. E a vida é assim, fere e cura em caminhos que nenhum de nós podemos julgar. E cada vez que nós forçamos a linha tênue da vida de alguém, boa ou má, ela irá estourar e trará dor ao forçador e ao dono da linha.  Como a corda de um violão, onde depois de tal evento, até o som ficará comprometido, não tão harmonioso, todos notando que falta algo.

Empatia se treina. Como um músculo. E faz bem.

Não adianta querer fazer o certo de qualquer jeito, até porque o certo tem que ser constantemente buscado e isso exige humildade. Silêncio. Dedicação. Resiliência.

Ou seja, antes de povoar seu pensamento de julgamentos acerca do outro, cale a boca e foque no seu caminho. Se o outro precisar, ajude-o calado. O resto fará sua parte por si só. Quer ser bom? Esse é o maior bem que alguém pode fazer a outra pessoa.

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